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sábado, 31 de maio de 2008

MANIFESTO DE APOIO AO PROFESSOR VALÉRIO MARIANO

Não sei ao certo se o colega educador ainda deseja ser chamado de professor. Entretanto, expresso aqui meu apoio e solidariedade a Valério Mariano dos Santos, espancado por ex-aluno na porta da Escola onde trabalha (ou trabalhava).

Como palestrante sobre burnout em professores, destaco em minhas apresentações as ameaças e violência contra os educadores como um dos fatores deflagradores desta síndrome que acomete mais de 40% dos professores no Brasil e, segundo o coordenador do curso de psicologia da UnB, prof. Codo, tal síndrome representa “um risco que pode levar à falência da Educação”.

O prof. Valério é (ou era) professor de História da Escola Classe 04 de Ceilândia, cidade satélite de Brasília-DF. Formado em Direito, pensa em migrar de profissão depois do ocorrido. A atitude do professor Valério é a realização de uma vontade que assombra metade dos professores brasileiros, pelo menos.

Há cerca de trinta dias antes do ocorrido eu havia ministrado, na Escola Classe 06, palestra com o tema: Burnout em professores. A EC06 é vizinha da EC04 onde o professor foi agredido. A diretora e equipe técnica da Escola onde realizei a palestra estavam muito felizes, pois um ex-aluno estava em visita à escola para contar às suas ex-professoras que agora havia se tornado jogador de um time oficial de vôley. Muitas fotos e muitos motivos de orgulho demonstraram que nem tudo está perdido na Educação, mas é preciso que governantes, sindicatos e sociedade se unam em busca de melhorias na qualidade de vida dos educadores. Muito se tem feito, mas é preciso fazer mais, mais, mais. Cada vez mais. Muito mais!

Há anos atuo como professor e palestrante nas áreas de Educação e Saúde Mental. Sempre que realizo alguma palestra envio releases para revistas, jornais e TV do Distrito Federal, mas na maioria das vezes a imprensa prefere dar destaque a eventos mais urgentes do que anunciar palestras, é óbvio. Entretanto, o trabalho de conscientização, capacitação e formação continuada são como medidas profiláticas à essas dissonâncias que ocorrem entre educadores e educandos diariamente. Infelizmente, nosso trabalho acaba não alcançando a repercussão que deveria e o resultado disso é: Professores se fragilizam e adoecem enquanto delinqüentes são recebidos como heróis em suas gangues, coroados com a atenção que a mídia os oferece.

Outro agravante é a sensação de impunidade que reina perene. Autoridades irão avaliar a intensidade dos ferimentos para qualificar as lesões corporais. Contudo, a lesão que deveria ser avaliada é sobre a imagem institucional do professor, assim como acontece com a imagem institucional do presidente e de parlamentares que têm regalias à revelia.

Além de defender a pessoa do Valério Mariano, é preciso que nossas autoridades defendam o papel social e a imagem do professor brasileiro. Os agressores, irreverentes delinqüentes, devem ser punidos exemplarmente para refletirem muito bem antes de tentarem agredir o próximo professor. Sabe-se que as ameaças de alunos a professores em sala de aula são uma constante. As figuras representativas de nossa sociedade devem merecer atenção especial. Toda e qualquer agressão deve ser prevenida sempre, impedida quando possível e punida exemplarmente.

Manifesto, assim, o meu apoio e solidariedade ao professor Valério Mariano e assumo, ainda que ínfima, a minha parcela social de culpa por sua agressão. Posso lhe afirmar, professor Mariano, que intensificarei ainda mais o trabalho que venho realizando em prol da qualidade de vida dos professores do Distrito Federal e de todo o Brasil.

Explica a psicanálise de Sigmund Freud: A agressão às figuras e símbolos de autoridade é forte indício do deslocamento da agressão destinada aos progenitores do mesmo sexo do agressor. Tal impulso representa o resultado da obra caridosa e o acolhimento das autoridades complacentes com o crime contra a pessoa humana. O ataque às virtudes, à moral e aos bons costumes não é outra coisa, senão o ataque à educação e aos ensinamentos recebidos dos pais. É uma das diversas formas de o agressor atribuir aos seus educadores a culpa pelo fracasso, incompetência social e pequenez de alma que possuem. Não punir atos oriundos destas fontes é alimentar sentimentos desprezíveis e nutrir o agressor para revides cada vez maiores e mais bárbaros contra as figuras representativas de autoridade social.

Chafic Jbeili

Um comentário:

Anônimo disse...

Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu

15% dos professores da Região Centro-oeste sofrem de Burnout

Cartilha sobre burnout. Distribua!

Vídeo sobre burnout em professores (5 minutos!)