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sábado, 31 de maio de 2008

MANIFESTO DE APOIO AO PROFESSOR VALÉRIO MARIANO

Não sei ao certo se o colega educador ainda deseja ser chamado de professor. Entretanto, expresso aqui meu apoio e solidariedade a Valério Mariano dos Santos, espancado por ex-aluno na porta da Escola onde trabalha (ou trabalhava).

Como palestrante sobre burnout em professores, destaco em minhas apresentações as ameaças e violência contra os educadores como um dos fatores deflagradores desta síndrome que acomete mais de 40% dos professores no Brasil e, segundo o coordenador do curso de psicologia da UnB, prof. Codo, tal síndrome representa “um risco que pode levar à falência da Educação”.

O prof. Valério é (ou era) professor de História da Escola Classe 04 de Ceilândia, cidade satélite de Brasília-DF. Formado em Direito, pensa em migrar de profissão depois do ocorrido. A atitude do professor Valério é a realização de uma vontade que assombra metade dos professores brasileiros, pelo menos.

Há cerca de trinta dias antes do ocorrido eu havia ministrado, na Escola Classe 06, palestra com o tema: Burnout em professores. A EC06 é vizinha da EC04 onde o professor foi agredido. A diretora e equipe técnica da Escola onde realizei a palestra estavam muito felizes, pois um ex-aluno estava em visita à escola para contar às suas ex-professoras que agora havia se tornado jogador de um time oficial de vôley. Muitas fotos e muitos motivos de orgulho demonstraram que nem tudo está perdido na Educação, mas é preciso que governantes, sindicatos e sociedade se unam em busca de melhorias na qualidade de vida dos educadores. Muito se tem feito, mas é preciso fazer mais, mais, mais. Cada vez mais. Muito mais!

Há anos atuo como professor e palestrante nas áreas de Educação e Saúde Mental. Sempre que realizo alguma palestra envio releases para revistas, jornais e TV do Distrito Federal, mas na maioria das vezes a imprensa prefere dar destaque a eventos mais urgentes do que anunciar palestras, é óbvio. Entretanto, o trabalho de conscientização, capacitação e formação continuada são como medidas profiláticas à essas dissonâncias que ocorrem entre educadores e educandos diariamente. Infelizmente, nosso trabalho acaba não alcançando a repercussão que deveria e o resultado disso é: Professores se fragilizam e adoecem enquanto delinqüentes são recebidos como heróis em suas gangues, coroados com a atenção que a mídia os oferece.

Outro agravante é a sensação de impunidade que reina perene. Autoridades irão avaliar a intensidade dos ferimentos para qualificar as lesões corporais. Contudo, a lesão que deveria ser avaliada é sobre a imagem institucional do professor, assim como acontece com a imagem institucional do presidente e de parlamentares que têm regalias à revelia.

Além de defender a pessoa do Valério Mariano, é preciso que nossas autoridades defendam o papel social e a imagem do professor brasileiro. Os agressores, irreverentes delinqüentes, devem ser punidos exemplarmente para refletirem muito bem antes de tentarem agredir o próximo professor. Sabe-se que as ameaças de alunos a professores em sala de aula são uma constante. As figuras representativas de nossa sociedade devem merecer atenção especial. Toda e qualquer agressão deve ser prevenida sempre, impedida quando possível e punida exemplarmente.

Manifesto, assim, o meu apoio e solidariedade ao professor Valério Mariano e assumo, ainda que ínfima, a minha parcela social de culpa por sua agressão. Posso lhe afirmar, professor Mariano, que intensificarei ainda mais o trabalho que venho realizando em prol da qualidade de vida dos professores do Distrito Federal e de todo o Brasil.

Explica a psicanálise de Sigmund Freud: A agressão às figuras e símbolos de autoridade é forte indício do deslocamento da agressão destinada aos progenitores do mesmo sexo do agressor. Tal impulso representa o resultado da obra caridosa e o acolhimento das autoridades complacentes com o crime contra a pessoa humana. O ataque às virtudes, à moral e aos bons costumes não é outra coisa, senão o ataque à educação e aos ensinamentos recebidos dos pais. É uma das diversas formas de o agressor atribuir aos seus educadores a culpa pelo fracasso, incompetência social e pequenez de alma que possuem. Não punir atos oriundos destas fontes é alimentar sentimentos desprezíveis e nutrir o agressor para revides cada vez maiores e mais bárbaros contra as figuras representativas de autoridade social.

Chafic Jbeili

Troca de bênçãos!

Depois de ministrar a disciplina "Administração Eclesiástica" para uma aplicada turma de Teologia do Centro Acadêmico IMPAR, tive o privilégio de descobrir que uma das alunas é cantora gospel da melhor qualidade!

No intervalo para o almoço a pastora, bacharelanda em teologia e cantora do Minsitério Ana Music ofereceu deliciosa galinhada aos seus colegas de turma.

No encerramento do encontro recebi das mãos da cantora Ana Maria um exemplar autografado de seu DVD "Senhor te Sirvo". Em agradecimento ofereci um exemplar de meu livro "Superando o desânimo" e a troca de bênçãos foi selada!

Agradeço a pastora pela generosidade do presente e reitero votos de sucesso e felicidades em sua brilhante carreira. Muito obrigado!

Serviço:
DVD "Senhor te Sirvo"
Ministério Ana Music
Contatos para shows: (61) 3377-8658 | 9234-6420
www.anamusic.com.br

quinta-feira, 29 de maio de 2008

As Crianças Pensam?

Freqüentemente nos dirigimos às crianças e exigimos que eles tenham atitudes de adulto. Não são raros os momentos que chamamos sua atenção dizendo coisas do tipo: “Pensa direito menino!”, ou “Presta atenção no que faz, parece que você está no mundo da lua!”.

Quando não fazemos isto, acabamos aceitando todo tipo comportamento que possam ter, com a desculpa que ainda são crianças, e que, portanto não é o momento de exigirmos deles atitudes maduras.

Uma terceira possibilidade tão danosa quanto as duas anteriores acontece quando dizemos: “Não faça isto”, ou ainda “Não fale isto, que é feio”, sem darmos as justificativas pertinentes.

Em todas as alternativas acima, privamos as crianças do que é mais caro aos adultos: O PENSAR.

O problema não reside em dizermos às crianças o que elas devem ou não fazer, mas em como fazemos para que elas entendam o que pode ser feito ou não, isto significa que temos que dar a elas a chance de construir suas hipóteses sobre as coisas. Assim, antes de dizermos: “Não faça isto”, devemos fazer com que ela justifique porque está fazendo aquilo, e o que significa para ela agir de determinada maneira. Nossa preocupação deve estar voltada, portanto, não exclusivamente para algo que a criança faça ou fale, mas antes para as motivações que ela julga imperiosas e para as justificativas que consegue elaborar.

Esta mudança de perspectiva obriga a nós, adultos, deixarmos de nos preocupar tanto com o que as crianças fazem, nos fixando mais nos procedimentos e nas construções mentais que elas elaboram para chegar ao que externalizam. Ou seja, é mais importante o que provoca certas atitudes e não a própria atitude em si.

Isto obriga os educadores (porque é cada vez mais raro encontrar pais preocupados em fomentar nos filhos um sólido processo reflexivo) a garantirem duas coisas fundamentais na educação infantil: primeiro, que as crianças possam refletir sobre sua ação, buscando dar significado e sentido a ela, preenchendo de conteúdos as atitudes que tem, que muitas vezes parecem não fazer muito sentido para ela, porque não conseguem pensar por si mesmas sobre tudo. Trocando em miúdos: decidir menos por elas, e acreditar que elas podem encarar certos desafios típicos de sua idade, e aprender com eles, sem que alguém precise decidir por elas.

Segundo, que as atitudes delas deixem de ter caráter meramente repetitivo, deixando de ser meras cópias do que fazem os dos adultos, passando a obedecer a um caráter auto-reflexivo, amparado nos conceitos que consiga formular. Ou melhor: nada mais aterrorizante que pais que ficam obrigando os filhos pequenos jogarem futebol e serem “machos”, as filhinhas ficarem rebolando na frente das visitas (humilhando a criança, constrangendo os amigos que se vêem obrigados a dizer: Que lindo! E expondo a pobreza de espírito dos pais).

A criança quando é freqüentemente solicitada a justificar seu comportamento, acaba percebendo que não podemos agir e dizer coisas sem sentido.

Isto não significa que a criança deve ser repreendida e acossada por conta de todo tipo de enganos que cometa, mas sim que devemos garantir que elas consigam aprendam com seus erros dentro de um processo sadio, fraterno, equilibrado e paciente; promovendo a auto-estima, o desejo de enfrentar e superar, ao invés de um espírito acuado e acovardado e culpado. A aprendizagem não significa o castigo (como sugerem as religiões cristãs), nem a permissividade, mas sim a busca do entendimento das armadilhas e enganos, das implicações, das alternativas e das conseqüências daquilo que elas fazem.

O nosso sistema educacional, e grande parte dos nossos professores, por acreditar que o pensar nas crianças não é consistente, e, portanto o que elas dizem não deve ser levado à sério, preferem ensinar tudo, como se elas não tivessem ao longo de suas vidas elaborado suas hipóteses sobre as coisas que já vivenciaram.

Os professores preferem ensinar, por exemplo, “A lei da gravidade”, aos seus alunos, e não resgatar deles suas explicações e sensações. Ensinamos, portanto conceitos acabados, histórias mortas, fórmulas áridas, coisas desinteressantes às crianças e com certeza aos adultos também.

Mas se a escola se parece mais com matadouro do que com a vitrine para o mundo, ela não faz isto porque maldosamente nos deseja com a consciência lesada, faz sim porque nós somos e preferimos ser assim. Percebam não afirmei: porque somos assim, pois isto tem caráter fatalista, disse por que PREFERIMOS SER ASSIM, fazemos a opção por não pensar, e achamos que as pessoas que nos cercam e as crianças incomodam menos quando não perguntam.

Os pais preferem ver seus filhos crescerem na frente da televisão, sem qualquer critério e sabor pela vida, os professores preferem ocupar-se dos conteúdos do ensino. O problema não está na TV (coisa do demônio, segundo os estúpidos, tal qual foi a luneta, a vacina) nem nos conteúdos, mas na maneira como pais e educadores se comportamos diante dela. Ela é fonte importante de informações, mas informação sem reflexão não faz sentido, só esclarece e doutrina.

Nossas crianças não merecem continuar a serem adestradas.

Educar implica em aprender e fazer, em fazer e pensar, em compreender e justificar, em dizer e construir, em buscar e discordar, em criar e destruir. Mas como ninguém consegue ensinar o que não aprendeu, o caminho ainda parece longo.

Nilson Santos
Professor de Filosofia e História da Educação/UNIR
E-mail: nilson@unir.br

83% dos alunos têm professor insatisfeito, afirma a Unesco

Matéria extraída do site www.psicopedagogiaonline.com.br

ANTÔNIO GOIS
da Folha de S.Paulo, no Rio

Os professores brasileiros, com exceção apenas de seus colegas uruguaios, são os mais insatisfeitos com seus salários, segundo um relatório divulgado ontem pela Unesco, no comparativo entre 11 países em desenvolvimento. No estudo, 83% dos alunos do ensino primário (equivalente, no caso brasileiro, aos quatro primeiros anos do ensino fundamental) estão em classes cujos docentes se declararam insatisfeitos com os salários.

O relatório também mostra, como já evidenciado em outros estudos da Unesco, que as taxas de repetência no ensino primário no Brasil destoam, e muito, das de outros países.

No Brasil, a repetência chega a 19% dos alunos no ensino primário, mais que o dobro da verificada no segundo país com maior percentual, o Peru, com 8,8%.

O estudo da Unesco, intitulado "Um Olhar para o Interior das Escolas Primárias", faz parte do programa WEI (sigla, em inglês, de Indicadores Mundiais de Educação), que monitora a educação em países em desenvolvimento.

Duplo emprego

Sobre o alto grau de insatisfação dos professores brasileiros com seus salários, o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny, destaca outro dado do relatório, que mostra que o percentual de alunos cujos professores trabalham em mais de uma escola chega a 29% no Brasil, o maior entre todos os países analisados.

Não por acaso, os outros dois países com maiores percentuais nesse quesito são Argentina e Uruguai, onde igualmente o nível de insatisfação com o salário chega a mais de 80%. "Todo mundo que trabalha sabe que uma dupla jornada afeta o desempenho. Isso tem certamente impacto em sala de aula", diz Defourny.

A professora Sandra Aparecida Martins Ferreira, 38, concorda. Ela leciona tanto na rede estadual quanto municipal na zona leste de São Paulo. As nove horas e meia de trabalho diárias lhe rendem ao final do mês R$ 2.200.

"É muito pouco, considerando o desgaste que temos. Os alunos vêm cada vez mais com problemas familiares e nós não conseguimos desenvolver o que desejamos. É frustrante", diz Sandra, que dá aulas para estudantes de 1ª a 4ª séries.

Infra-estrutura

Na maioria das situações analisadas pelo estudo --como a infra-estrutura das escolas ou as condições de oferta do ensino- o Brasil se encontra perto da média dos países analisados --não foram analisados dados de países desenvolvidos.

Os brasileiros, por exemplo, não se mostraram tão insatisfeitos em relação ao número de alunos por turma, a participação dos pais de alunos na escola ou a oferta de material didático.
No caso do número de alunos por turma, por exemplo, 34% estudam em classes cujos professores demonstraram algum grau de insatisfação com a questão. A média no ensino primário brasileiro é de 27 crianças por sala de aula. A maior relação foi encontrada na Índia (51 por sala), e a menor, na Malásia (18 por sala).

Colaborou FÁBIO TAKAHASHI, da Folha de S.Paulo

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Registro de doenças mentais no trabalhador sobe mais de 1.324%, revela pesquisa inédita.

O INSS adotou uma nova metodologia para avaliar doenças laborais e os índices são alarmantes, como relata matéria publicada pela UnB.


O novo método, batizado de Nexo Técnico Epidemológico Previdenciário (Ntep) foi desenvolvido por um acadêmico do doutorado e modifica a forma como as doenças laborais são notificadas. As doenças já existiam, mas não eram registradas como deveriam. Entretanto, a surpresa foi o alto índice dessa diferença.


As lesões somavam 91.680 casos em 2006 e, depois da utilização do novo método esse número saltou para 131.517 em apenas um ano. O aumento mais significante ficou com as doenças relacionadas aos transtornos mentais como estresse, depressão, burnout, entre outros. De acordo com a matéria, em 2006 registrou-se apenas 488 casos contra 6.950 em 2007 representando um índice de 1.324% de aumento, conforme demonstra o quadro a seguir:


2006 2007 Variação
Trabalhadores registrados empregados 27.088.114 29.720.306 9,7%
Benefícios de auxílio doença por acidente de trabalho 112.668 231.288 106%
Benefícios de auxílio doença previdenciário (não relacionado ao trabalho) 1.578.144 993.178 -37%
Total de afastamentos de trabalhadores registrados 1.690.812 1.224.466 -28%
Registro de lesões 91.680 131.517 43%
Registro de doenças osteomusculares 7.880 78.229 893%
Registros de doenças mentais 488 6.950 1.324%

* Nas estatísticas acima só entraram os trabalhadores com carteira assinada. Ou seja, empregados.


Os casos em que se percebe diminuição na variação, como por exemplo no ítem "total de afastamento de trabalhadores registrados", isso se deve ao fato de o trabalhador temer pela perda do emprego, pois, ato comum, a maioria das vezes em que o trabalhador retorna de uma licença por acidente de trabalho, normalmente é demitido.


Os números indicam proporcionalmente os cuidados que se deve ter com a saúde do trabalhador. Mesmo não tendo sido citado diretamente, o burnout enquanto transtorno mental do trabalhador, presume-se que tão logo haja critérios oficiais de registro da síndrome, números alarmantes podem ser revelados. Enquanto isso, vale o bom senso e a boa vontade de profissionais da Educação e da Sáúde na tentativa de alertar e amenizar os efeitos do burnout.


Chafic Jbeili
Fonte: Secretaria de Comunicação da UnB.

Burnout não consta, especificamente, no CID-10

CID10

A Síndrome de Burnout não pode ser diagnósticada clinicamente, pois tal doença ainda não consta especificamente no Código Internacional de Doenças (CID-10) segundo relata a dra Isabela Vieira, médica psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ). o burnout atualmente está enuqdrado de forma genérica sob o código Z73.0 como problema que leva o paciente ao contato com o serviço de saúde.


Freudenberger, em 1974, descreveu o burnout como um “incêndio interno” resultante da tensão produzida pela vida moderna, afetando negativamente a relação subjetiva com o trabalho. Segundo Maslach et al.18, o burnout é uma síndrome psicológica resultante de estressores interpessoais crônicos no trabalho e caracteriza-se por: exaustão emocional, despersonalização (ou ceticismo) e diminuição da realização pessoal (ou eficácia profissional). A exaustão emocional (EE) caracteriza-se por fadiga intensa, falta de forças para enfrentar o dia de trabalho e sensação de estar sendo exigido além de seus limites emocionais. A despersonalização (DE) caracteriza-se por distanciamento emocional e indiferença em relação ao trabalho ou aos usuários do serviço. A diminuição da realização pessoal (RP) se expressa como falta de perspectivas para o futuro, frustração e sentimentos de incompetência e fracasso. Também são comuns sintomas como insônia, ansiedade, dificuldade de concentração, alterações de apetite, irritabilidade e desânimo.


RELATO DE CASOS

A., 50 anos, casado, técnico em telecomunicações, funcionário de empresa de telefonia há 28 anos. Seus problemas começaram em 1996, com sucessivas mudanças administrativas: foi transferido de unidade duas vezes e assumiu, sem consulta prévia, posto de gerência, aumentando suas atribuições, enquanto reduzia-se o efetivo de pessoal. Suas novas tarefas incluíam a demissão de funcionários. Para aprender o novo serviço, passou a trabalhar até mais tarde nos fins de semana. Começou a sentir-se muito cansado fisicamente, ansioso, tenso e insone. Após a privatização da empresa, instalou-se o processo de reestruturação produtiva, com demissões em massa e expansão dos serviços. Os novos contratados não estavam suficientemente qualificados para as funções, exigindo maior esforço na tarefa de supervisão. Havia sucessivas “mudanças de diretriz” (“mandavam a gente fazer tudo de um jeito, e no dia seguinte não era mais nada daquilo, o trabalho era jogado fora”), além das ameaças de demissão, da desmoralização dos funcionários e das exigências cada vez maiores de rendimento (“quando a meta não era alcançada, era porque éramos incompetentes; quando se conseguia, deveríamos ter nos esforçado mais para superá-la”). Além do cansaço físico, sentia-se exigido além do seu limite emocional. Pensar em trabalho deixava-o irritado e impaciente, ao contrário do que sempre foi (considerava-o como prioridade, fonte de satisfação pessoal e orgulho). Passou a apresentar, além da ansiedade, tristeza profunda, falta de prazer nas atividades, dificuldade em tomar decisões, perda de apetite e de peso (cerca de 14 kg em 7 meses), “brancos” de memória, desesperança, sentimento de desvalorização pessoal e vontade de morrer. Foi, então, afastado de suas atividades laborativas, e iniciou tratamento psiquiátrico em 2000. A. fez uso de diversas medicações até que se aposentou, um ano após o diagnóstico do burnout.


Outro caso é o da professora Cibele. Ela sabia que alguma coisa de anormal estava acontecendo. As atividades que antes lhe davam prazer, de uns tempos para cá, estava esvaindo sua energia e ela se sentia mais cansada e desanimada do que o habitual. E, em alguns momentos, até angustiada com a perspectiva de entrar em sala de aula, enfrentar os alunos e fazer o que ela sempre soube fazer: educar. Professora há 28 anos, sempre foi dedicada e ativa, mas, começou a achar que não dava mais conta das obrigações, “que o tempo não dava para cumprir as tarefas”, recorda-se.


Antônia Cibele Figueiredo Ligório não sabia, mas ela fazia parte de uma estatística que vem preocupando a área educacional, e sendo pesquisada por especialistas do mundo todo: educadores vítimas do burnout. Um tipo de síndrome que, segundo pesquisa realizada pelo Laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília, UnB, afeta 30% dos professores em todo o País. O levantamento, que ouviu 52 mil professores, funcionários e especialistas em educação de 1.440 escolas públicas, foi feita em conjunto com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Cibele tinha vergonha de seus sintomas e de ter que recorrer a atestados para tratar-se. “Eu queria que alguém me compreendesse e não tinha. O meio, por incrível que pareça, reage de forma hostil e minha tendência foi isolar-me dos meus colegas de trabalho”, conta. Afastada há dois anos de suas atividades profissionais, Cibele não tem diagnosticado o motivo de seu afastamento. “Os médicos não querem me dizer. A minha psicóloga diz que saber não é bom para mim”. Apesar de reconhecida desde 1999, são raros no Brasil os casos de profissionais afastados do trabalho por causa da síndrome de burnout.´


Pesquisa realizada em 2004, em dez estados brasileiros, pela CNTE, revelou que 30,4% dos professores e funcionários de escolas tiveram ou têm problemas de saúde, sendo que 22,6% necessitaram de licenças, afastando-se temporária ou definitivamente do trabalho. As principais enfermidades relacionadas ao trabalho e apontadas pela pesquisa são doenças psiquiátricas e neurológicas, calos nas cordas vocais, problemas cardíacos e de coluna, varizes e alergias ao giz.


Para saber mais sobre as características do burnout, bem como os sintomas mais comuns, às vezes confundidos com estresse ou depressão e até síndrome do pânico, assista a palestra com Chafic Jbeili que será realizada dia 29 de maio no auditório do Centro Acadêmico IMPAR.


Mais informações no site www.chafic.com.br

terça-feira, 13 de maio de 2008

Envie seu artigo

Olá, se você tem algum artigo seu sobre educação envie para eu divulgá-lo no blog Sopensar. Seus créditos serão preservados e suas idéias divulgadas.

Estou aguardando!

Envie para o email: chafic.jbeili@gmail.com

Abraço,

Chafic Jbeili


quinta-feira, 8 de maio de 2008

Palestra com avaliação de Burnout

Palestra com aplicação de avaliação profilática (questionário) para verificar indícios da Burnout:

SÍNDROME DE BURNOUT EM PROFESSORES: Identificação, tratamento e prevenção.

Dia 29/05
Local:
Auditório do Centro Acadêmico IMPAR.
Endereço:
QND 14, lote 17, Av. Comercial Norte, Taguatinga (próximo Clínica Vida)
Data: 29/05/2008 (quinta-feira)
Horário:
15h00 às 17h30h
Investimento: R$ 30,00 (trinta reais). Inclui certificado de participação emitido pelo IMPAR.

Informações e reservas: (61) 3373-7414 com Ingrid Botelho ou no site www.chafic.com.br

Palestrante: Chafic Jbeili
Psicanalista e psicopedagogo. Professor de pesicopedagogia clínica e institucional. Autor do livro "Superando o desânimo: um guia para dar a volta por cima". Há nove anos realiza palestras sobre motivação e saúde mental.

Assessoria de eventos: Ingrid Botelho
ingridadm05@hotmail.com 3373-7414

www.chafic.com.br

terça-feira, 6 de maio de 2008

Qualidade de vida: um estilo inspirado na criança!














"Procurei nos livros orientações para uma vida bem vivida, e encontrei na criança não a resposta que eu procurava, mas a inspiração que eu precisava." Chafic Jbeili


Procurei nos livros da sabedoria quais os mistérios de uma vida bem vivida. Encontrei filósofo falando que ser é melhor do que ter. Descobri que vive melhor quem vive o ser que se é, nas condições que se tem.


Procurei nos livros sagrados o caminho de uma vida plena e com sentido. Encontrei profetas falando de paz, de amor, de compartilhar e de perdoar. Descobri que vive melhor quem ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.


Procurei nos livros das ciências os segredos de uma vida vivida com saúde e longevidade. Encontrei doutor falando em comer bem, dormir bem, fazer exercícios e manter boa higiene física e mental. Descobri que vive melhor quem respeita os próprios limites, do corpo e da mente.


Procurei nos livros dos negócios a estratégia para uma vida de sucesso. Encontrei executivos falando em muita determinação, bastante garra, comedição severa em seus gastos, capacidade de se equilibrar nos altos e baixos do dia a dia, além de muita persistência em uma jornada marcada por dolorosas e consecutivas quedas. Descobri que vive melhor quem pretere o sucesso em favor da genuína felicidade.


Procurei nos livros da vida a experiência do bem viver nas palavras de quem não sabe ler nem escrever. Encontrei ancião falando de raiz, canja de galinha e chá de muitos matos. Descobri que vive melhor quem busca uma vida simples e observa os sinais que a vida oferece.


Procurei nos livros das crianças a fonte de uma vida alegre e divertida. Não encontrei qualquer delas disposta a investir um segundo sequer de seu precioso tempo para falar de coisa séria. Só escutei risos, sapateados e o vulto daquelas que não paravam de correr ventanejantes de um lado para o outro. Descobri que vive melhor quem, de vez em quando, se liberta e retoma a dinâmica lúdica da infância, ainda que por alguns minutos apenas.


Depois de tanto procurar descobri que vive melhor quem:


1) Busca maior autoaceitação. Cada pessoa é muito maior e melhor do que comumente acredita que é. A psicopatologia da neurose subsiste do conflito entre quem a pessoa pensa que é e quem ela gostaria de ser. Lembre-se: Pessoas gostam de pessoas que gostam de si mesmas. Virtude-chave: Compreensão.


2) Reconhece suas limitações. Crer que há um Deus no controle de todas as coisas é essencial para que a pessoa evite a pesada, pretensiosa e falsa crença de possuir controle sobre coisas e pessoas. Ser responsável não implica ter poder. Lembre-se: Não se preocupe com as coisas que não pode fazer nada. Com as demais faça algo ao invés de apenas se preocupar. Virtude-chave: Fé.


3) Atende suas necessidades. A saúde é um bem precioso e prescinde qualquer ação. Um corpo fraco e mal nutrido dificilmente conseguirá realizar a mais banal das tarefas. Lembre-se: O único espaço em que a pessoa tem posse plena, irrestrita e vitalícia é o próprio corpo. Se não cuidar dele, onde mais poderá viver? Virtude-chave: Disciplina.


4) Goza boa capacidade de discernimento. É preciso saber viver com equilíbrio. Metas e objetivos são bons apenas enquanto não comprometem os limites do corpo e da alma. De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder as pessoas queridas e amadas? Lembre-se: A felicidade não tem, necessariamente, qualquer vínculo com o sucesso. O contrário também é verdadeiro. Virtude-chave: Sensatez.


5) Aprecia as coisas simples da vida. Observar uma formiga que trabalha, uma nuvem que passa em majestoso silêncio, a revoada de um sedento beija-flor. Perceber que vai chover, sentir o cheiro da terra, pegar uma pedrinha de granizo e dividir o guarda-chuva. Reparar na folha que cai, na aranha que tece, no cupim que corrói, enquanto se saboreia uma suculenta jaboticaba colhida no pé. Lembre-se: As coisas mais simples também são as mais extraordinárias. Viva-as mais vezes. Virtude-chave: Gratidão.


6) Revive ou recria a própria infância. Se não há o que reviver de sua infância, então recria-a para vivê-la agora e aos poucos. Uma historinha bem lida, uma gargalhada bem dada, doces, pipoca e traquinagens. Aproxime-se do chão, vire uma, duas, três cambalhotas protegendo sempre a cabeça. Balance o corpo enquanto come um biscoito. Faça caretas no espelho, ria da vida, da sorte ou da morte... apenas ria. Lembre-se: Se não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Virtude-chave: Humildade.


Em geral, a criança gosta de si mesma; mesmo sem concordar reconhece suas limitações e, por isso, sabe que é frágil e dependente dos outros, pois não pode obter aquilo que precisa de si mesma. Faz o que for preciso para ver suas necessidades atendidas, depois se cala e dorme. A criança se ocupa em ser feliz e não se preocupa em ser bem-sucedida; ela sabe bem apreciar e vibrar com as coisas mais simples que lhe apresentam; a criança preserva a capacidade lúdica de recriar a cada instante um mundo diferente, uma fantasia nova.


Autor: Chafic Jbeili | www.chafic.com.br

15% dos professores da Região Centro-oeste sofrem de Burnout

Cartilha sobre burnout. Distribua!

Vídeo sobre burnout em professores (5 minutos!)