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sábado, 15 de setembro de 2007

Síndrome de Burnout em professores

Fonte: www.novaescola.com.br | Amanda Polato

Que muitos professores sofrem de estresse não é novidade. Do que pouca gente se dá conta é da gravidade do problema. Gisele Levy fez uma pesquisa pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e descobriu que 70% dos professores de cinco escolas de Ensino Fundamental de Niterói (RJ) apresentavam sintomas da Síndrome de Burnout (expressão em inglês para perda do fogo ou da energia). E pior: conversando com os educadores, percebeu que eles consideram isso como algo normal da profissão!

Por não constar ainda no Código Internacional de Doenças, Gisele, assim como outros pesquisadores, considera a Síndrome de Burnout como um estresse ocupacional crônico, um fenômeno que ocorre diariamente e está relacionado ao trabalho. É o que justifica o afastamento de função. Afinal, o que é essa síndrome?

Os principais sintomas são: exaustão emocional, falta de realização pessoal e despersonalização. No caso da Educação, os profissionais precisam lidar o tempo todo e diretamente com crianças e jovens em formação. "E na medida em que surgem falhas, como a violência, o desrespeito e a falta de instrumentos de trabalho, o relacionamento com os alunos fica afetado", explica Gisele. 86% do total de professores que responderam à pesquisa se sentiam ameaçados em sala de aula. "Tanto em regiões nobres quanto pobres, a sensação de ameaça e medo da violência de dentro e fora da escola é grande", conta.

Resultado: o professor começa a ficar extremamente cansado (física e mentalmente), perde a paciência com os alunos, falta ao trabalho e adquire comportamentos que nem ele percebe a princípio. "Todos os relacionamentos interpessoais ficam prejudicados, até os familiares, amorosos", completa a pesquisadora. É a despersonalização. Há um distanciamento dos outros, de uma maneira geral. O professor entra na sala, mas é como se não estivesse lá. Faz o básico e vai embora. "Ele sente que não pode resolver tudo na classe, dar todas as soluções, e começa até a não usar os conhecimentos que possui", resume.

De acordo com a pesquisa, os educadores que mais sofrem da síndrome são os mais jovens, porque aos problemas soma-se a inexperiência, e os mais apaixonados pela profissão, que a vêem como realização pessoal. Ao contrário do que se possa dizer no cotidiano escolar, quando alguém pede afastamento do cargo, isso não deve ser encarado como um evento natural. Os outros professores, a escola e a secretaria de educação precisam ficar atentos às condições de trabalho e ao efeito delas na saúde dos profissionais. O estresse é uma doença crônica que exige tratamento e que, se não for levada em consideração, pode gerar outras complicações, como problemas cardíacos e alcoolismo. Quem apresentar alguns dos sintomas citados precisa procurar a avaliação de especialistas. Importante dizer que o desenvolvimento da Síndrome de Burnout também é influenciado pela história de vida da pessoa afetada, pelo modo como ela lida com os problemas, entre outros fatores.

Importante salientar que os sintomas da Burnout podem ser debelados por meio de psicoterapia. Em todo caso a prevenção é sempre o melhor remédio!

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