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sábado, 15 de setembro de 2007

Um bicho-papão chamado depressão infantil

Atualmente cerca de 3 a 11% da população adulta sofre com esta doença. Embora não escolha idade a Depressão também tem sido detectada, com relativa freqüência, em um número cada vez maior de crianças. Estudo recente revelou que 15% dos adolescentes e 90% das crianças sofrem de Depressão, contrariando pesquisas anteriores que constatavam a Depressão em apenas 10% da população infantil. De difícil diagnóstico no público infantil, esta doença desafia pais, professores, médicos e psicólogos. Todos precisam estar atentos para reverter o quadro, o quanto antes, e amenizar o impacto negativo de seus efeitos, que podem durar por toda uma vida quando não tratados devidamente.

A origem da Depressão na criança
Ainda permanece desconhecida a origem exata da Depressão, tanto em adultos quanto em crianças. A explicação científica mais atual que se tem é da ocorrência de um desequilíbrio bioquímico caracterizado pela queda nos níveis de Serotonina (responsável pela motivação, apetite, humor), Noradrenalina (responsável pela energia física, interesse, concentração e sono) e Dopamina (responsável pela sensação de prazer e bem-estar). Essa desestabilização hormonal, por sua vez, pode ser desencadeada variavelmente por eventos biológicos causados por: vida sedentária, problemas glandulares, mutações adaptativas (idade) e alimentação insuficiente ou inadequada. Sabe-se que uma alimentação pobre em carboidratos (encontrado no arroz, milho, trigo e outros cereais) pode desestabilizar a produção de Serotononia e provocar o estado depressivo. A Dra Tânia de Guedes Muniz Gaspar, nutricionista em Brasília, acredita que a dieta desequilibrada, baseada em lanches rápidos, associada a outros fatores, contribui para o estado depressivo em crianças.

Esta disfunção química no cérebro também pode ocorrer provocada por eventos psicológicos considerados traumáticos, tais como: perdas significantes (morte de ente querido), frustrações (escolares, sociais), conflitos familiares (brigas, divórcio), mudanças adaptativas (escola, bairro, cidade) e que também afetam a produção de neurotransmissores causando oscilação de humor, ansiedade e inclusive o pânico.

Como reconhecer a Depressão na criança
Um sintoma isolado ou esporádico não pode caracterizar nenhuma doença. Antes, é preciso vários sintomas ocorrendo ao mesmo tempo e, mesmo assim, por um período maior que duas semanas. É preciso ter bom senso no uso dessas informações, sabendo que o médico, de preferência o psiquiatra, e o psicólogo são os profissionais mais indicados para realizarem a observação e a entrevista clínica para fins de diagnóstico e prognóstico. Entretanto, os pais devem ficar atentos aos seguintes sinais:

0 a 3 ANOS
Bebês, nesta faixa etária, ficam indiferentes ao meio, seu semblante é triste e seu olhar vago e lastimoso. Ficam quietos a maior parte do tempo. Próximos à inércia, mal balbuciam e quase não reagem aos estímulos visuais e auditivos. Quando movimentam braços ou pernas é com lentidão que o fazem. Geralmente este comportamento é acompanhado por moderação no apetite e prolongamento do período de sono habitual. Perturbações psicossomáticas também podem ser observadas, tais como: taquicardia, reações alérgicas freqüentes, respiração ofegante, dores no corpo sem causa aparente refletidas por choros pesarosos e sofridos.

Entre os 2 e 3 anos a Depressão pode manifestar-se com quadro de Ansiedade de Separação, onde podemos observar uma maior aproximação e apego excessivo à pessoa de maior convívio, geralmente a mãe. Outros sinais da Depressão, nesta faixa etária, são: atraso da linguagem, encoprese (faz cocô na calça mesmo depois de aprender a usar o piniquinho) e enurese (faz xixi na calça ou na cama). Somente nos casos de Depressão grave, pouco comum nesta idade, podem aparecer idéias delirantes onde a criança afirma estar vendo vultos, imagens e bichos ou mesmo dizer amedrontada que algo ou alguém quer pegá-la.

3 a 10 ANOS
Nesta faixa etária as crianças deprimidas somatizam o transtorno afetivo, o qual se manifestará através de dores por todo o corpo, em especial na região da barriga e cabeça. Geralmente têm dificuldade em ganhar peso e apresentam algum déficit em seu crescimento. Além do semblante triste, estão sempre nervosas e irritadas, ficam hiperativas e também mais agressivas. Oscilam facilmente entre a coragem e o medo inespecífico. Perdem o interesse por atividades lúdicas e apresentam perdas significantes no rendimento escolar devido a maior dificuldade de concentração. As respostas aos estímulos são freqüentemente desproporcionais, por exemplo: destrói furiosamente um brinquedo só porque a pilha acabou.

É também nesta fase do desenvolvimento, dos 3 aos 10 anos, que a criança aprende e experimenta suas competências sociais, colocando em prática sua capacidade de relacionar-se e competir com as outras pessoas. Estão sempre se comparando no intuito de se afirmarem como pessoa. As manifestações indicativas de Depressão, mais comuns nesta fase, são a propensão ao isolamento e a timidez exacerbada, percebida nas atividades coletivas. Pensamentos auto-depreciativos, bem como a mentira tornam-se mais freqüentes. Sabe-se que muitas das dificuldades de aprendizagem têm como pano de fundo a Depressão nesta fase da vida.

Entre 6 e 12 anos, as crianças acometidas de Depressão, além dos sintomas básicos anteriormente citados, podem apresentar também comportamento anti-social grave, contrariando os princípios sóciofamiliares e passam a cometer, propositadamente, delitos, condutas agressivas e até pequenos furtos, sendo erroneamente rotulados de “delinqüentes” quando na verdade precisam de atenção e assistência.

Tratamento
Como toda e qualquer doença, quanto antes diagnosticada e tratada, melhor será a recuperação. Hoje em dia o tratamento é muito eficiente e, levando em consideração o estágio da doença, a idade e a estrutura biopsicosocial de cada criança, a melhora pode ser sentida logo nos primeiros meses de medicação combinada com terapia cognitiva. O tratamento pode durar entre 3 meses a 2 anos.

Segundo informações médicas, evita-se o tratamento com antidepressivos em crianças menores de sete anos, sendo preferido o acompanhamento psicológico mais intenso.

Sinais de alerta mais comuns:
Os pais ou responsáveis devem procurar o médico ou o psicólogo ao perceber três ou mais sinais concomitantes, por um período maior que duas semanas.

0 a 3 anos
ü choros paroxísmicos (constantes e histéricos)
ü perda de apetite ou recusa de alimentação
ü alteração ou perturbação do sono
ü letargia (a criança fica mais lenta)
ü baixa resposta à estímulos verbais e visuais
ü apego exagerado à pessoa mais próxima, como a mãe.

3 a 6 anos
> mudanças acentuadas no comportamento
> quietude (ficam mais tempo sem fazer nada)
> ansiedade ou agitação descomedida
> quebra constante de objetos
> falta de interesse em brincadeiras e atividades com os amigos
> irritabilidade aflorada e condutas agressivas
> indisciplina (desobediência e provocações)
> dificuldade ou resistência na realização de tarefas comuns como banho e alimentação

6 a 12 anos
> dificuldade de interação pessoal
> comportamento arredio
> sentimentos de rejeição e de baixa auto-estima
> predileção por atividades de risco provocando contusões e machucados
> queda no desempenho escolar
> regressão do comportamento (agir como se tivesse menos idade)
> tristeza com isolamento
> mal-humor e desinteresse geral

A principal dificuldade no diagnóstico preciso da Depressão Infantil está nas semelhanças que têm os sintomas da doença com as características próprias da idade, podendo deixar confuso até os mais experientes profissionais. Além das crianças nem sempre saberem explicar exatamente o que estão sentindo, outros fatores igualmente responsáveis pelo diagnóstico equivocado são a imperícia e a negligência profissional.

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